Educação e Internet

Semana passada, dando uma aula, um aluno perguntou: – Professor para que precisamos de professores se temos toda informação na internet? Mais que uma pergunta a senti como uma afirmação contundente. Respondi que a função do professor entre outras era a de guiar aos alunos no caminho do conhecimento. Já que são os alunos os que devem percorre-lo, os professores somente indicam e aconselham as melhores passagens e destinos.
O que mais me surpreendeu, foi que além da soberba natural dos adolescentes, transpirava uma autossuficiência além do normal. Não tive outra reação que perguntar: – Então para que vêm ao colégio? Se sentem que não precisam dele, deve ser uma tortura presenciar aula trás aula, dia após dia. Estamos no colégio porque somos obrigados. Perguntei: Vocês não pensam em seguir a faculdade ou ter uma profissão? A resposta chegou muito rápida: – Lógico que sim, mas um engenheiro não necessita saber português, ou um advogado matemática. E já falamos isso para os outros professores todos estão cientes disso.
– E seus pais que opinam?
– Eles querem que consigamos nossos diplomas.
– Então vocês frequentam o colégio para receber o diploma e não para aprender? Atrevi-me a perguntar.
– Lógico professor. Foi a pronta e breve resposta que recebi.
Ou seja, os pais sabem que os filhos vão à escola obrigados, não para aprender, senão para obter um diploma. Os diretores, coordenadores e professores sabem que os alunos não querem estudar, mas no caso das escolas privadas, o negócio não pode parar. O sistema educativo brasileiro brinca que ensina, e os alunos brincam que aprendem. Sei que não são todos assim, que existem alunos bem-intencionados e que realmente querem aprender. Mas a liderança negativa dos que defendem as posições aqui mencionadas cada dia ganha mais força, porque são os que gritam e reclamam mais, e a maioria fica em silêncio. Exatamente igual que os adultos fazem no dia a dia do país. Essa liderança negativa não é expulsa dos colégios particulares porque pagam. Uma famosa frase diz “Uma maçã podre apodrece todas as outras maçãs sadias”.
Alguns professores querem lutar contra isto, mas são boicotados pelos próprios alunos, já que caso exijam demais serão condenados nas avaliações semestrais que os alunos fazem dos professores. Coisa ridícula os alunos avaliarem os professores, mas os professores não podem fazer o mesmo com os alunos porque pode melindrar o aluno.
Conclusão temos professores melindrados, e alunos autossuficientes e prepotentes. Todo o mundo sabe, até quando você é contratado é avisado que os alunos desse colégio são especiais, e os pais cheios de melindres. Ou seja, alunos que não aprenderam nos seus lares educação ou respeito pelos mais velhos e pelos professores, e que não vêm o colégio como um lugar que se deve respeitar, é um clube que devem frequentar para obter um diploma de conclusão de estudos. Cada um paga seu preço por nosso sistema de educação: os pais a mensalidade, os professores sua autoestima, e os alunos ganham seus diplomas de ignorância. Depois nos perguntamos porque o Brasil está como está.

Boa semana.

2 Comments

  1. Mesquita said:

    Caro professor Ricardo, muito triste e verdadeiro seu relato nesta crônica. Conheço vários professores, dentre eles a minha esposa que além de professora de radiologia é coordenadora. Faz várias reuniões de sensibilização e palestras motivacionais com os alunos, ressaltando os cuidados indispensáveis com os pacientes para não chocá-los, alguns são terminais, o cuidado com a qualidade dos exames sobre os quais o médico depende para um diagnóstico e tratamento correto, mas se verifica muita displicência, falta de interesse e o principal, responsabilidade. O Brasil virou uma grande anarquia, de cabo a rabo, de fio a pavio. Volto a dizer que a sociedade só estará segura dos incompetentes quando se tornar obrigatório o exame de proficiência, sem o qual o formado não poderá registrar seu título no Conselho Profissional para exercer a profissão. Até aqui o lema é SALVE-SE QUEM PUDER. Forte abraço.

    28 de março de 2017
    Reply
    • Caro amigo: Os exames de proficiência são à verdadeira solução, mas só existiram quando o corporativismo da ignorância o permita.
      Um grande abraço.
      Ricardo

      28 de março de 2017
      Reply

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