{"id":165,"date":"2017-06-22T07:31:38","date_gmt":"2017-06-22T10:31:38","guid":{"rendered":"http:\/\/textopronto.com.br\/wordpress\/?p=165"},"modified":"2017-06-22T07:31:38","modified_gmt":"2017-06-22T10:31:38","slug":"qual-e-o-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/textopronto.com.br\/wordpress\/2017\/06\/22\/qual-e-o-limite\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o limite?"},"content":{"rendered":"<p>Tinha, sete ou oito anos, n\u00e3o mais do que isso quando recebi do meu pai a primeira li\u00e7\u00e3o que recordo. Com a curiosidade da minha idade fiquei observando um grupo de homens que batiam um papo em volta de uma \u00e1rvore, perto da esquina da minha rua. Eram pessoas que tinham um aspecto diferente daquelas que normalmente via passando perto de casa. Depois de um tempo eles foram embora e disfar\u00e7adamente me fui aproximando da \u00e1rvore, quando subitamente vi um pacote de pap\u00e9is. Peguei-o e percebi que n\u00e3o eram pap\u00e9is, mas bilhetes, um ma\u00e7o de dinheiro. Na \u00e9poca j\u00e1 sabia contar e cheguei a quantia de trezentos e poucos na moeda da \u00e9poca. N\u00e3o tenho a menor ideia de quanto seria isso hoje em dia, mas pela express\u00e3o de meu pai quando lhe entreguei o pacote deveria ser uma boa soma. Naquele tempo eu estava querendo comprar quase tudo o que existia, era um menino e queria tudo, ent\u00e3o aproveitei e falei para meu pai as coisas que desejava comprar com esse dinheiro. Ele simplesmente respondeu: Esse dinheiro n\u00e3o \u00e9 seu, algu\u00e9m o perdeu. Minha resposta foi r\u00e1pida: Acho que era dinheiro roubado, pelo aspecto dos caras estavam distribuindo dinheiro roubado. Meu pai n\u00e3o duvidou um segundo, pegou-me pela m\u00e3o, colocou seu chap\u00e9u e fomos caminhando para a delegacia. No caminho questionei que n\u00e3o iam encontrar esses homens e que o dinheiro ia ficar para a pol\u00edcia. N\u00e3o adiantaram todos meus argumentos, ele foi destruindo um a um e quando chegamos a delegacia fiz o que meu pai pediu, entreguei o dinheiro e contei o que tinha visto. Meu pai assinou a den\u00fancia e deram para ele um recibo do dinheiro.<br \/>\n\t\t   Ele tinha tra\u00e7ado o primeiro limite consciente que nunca esqueceria. J\u00e1 tinha estabelecido muitos outros limites no meu inconsciente, mas esse foi o primeiro que de uma forma concreta e atrav\u00e9s do exemplo imprimiu no meu c\u00e9rebro. O que \u00e9 seu \u00e9 seu, o que n\u00e3o \u00e9 seu n\u00e3o lhe pertence. Na educa\u00e7\u00e3o que dei aos meus filhos fiz a mesma coisa, ou pelo menos tentei. Ser\u00e1 que fiz certo? Eles vivem num mundo em que esses limites s\u00e3o transgredidos pela maioria levando vantagem sobre aqueles que os t\u00eam. Quais s\u00e3o os limites que uma sociedade deve impor aos seus membros?<br \/>\n                         Dizem que uma sociedade \u00e9 a soma daqueles que vivem nela e para que esse conv\u00edvio seja poss\u00edvel seus integrantes devem respeitar as regras de conviv\u00eancia. No meu lar as regras eram simples e a autoridade maior e definitiva era meu pai. Minha m\u00e3e era quem decidia tudo e sempre podia apelar para o argumento final: &#8211; Se n\u00e3o faz isto ou aquilo terei que falar com seu pai! Era o santo rem\u00e9dio, a \u00faltima coisa que quer\u00edamos era perturbar os poucos momentos que t\u00ednhamos com nosso pai. Ele sempre nos dizia que dev\u00edamos obedi\u00eancia \u00e0 nossa m\u00e3e, caso contr\u00e1rio ter\u00edamos que render contas a ele.\t\t      Quando vejo a quantidade de leis e normas que regem nossa sociedade percebo que essas leis e normas n\u00e3o s\u00e3o para poder conviver, mas para proteger aos mais fortes. O sistema judicial nosso \u00e9 t\u00e3o caro, demorado e de dif\u00edcil acesso para os pobres que somente protege ao mais forte. Para os membros de uma sociedade poderem conviver os limites s\u00e3o bem b\u00e1sicos e simples, saber a diferen\u00e7a entre sim e n\u00e3o, que nosso direito termina onde come\u00e7a o do outro e que o nosso \u00e9 nosso e n\u00e3o devemos ficar com nada que n\u00e3o seja de outro.<br \/>\n\t\t      O problema \u00e9 que para isto funcionar os que dirigem devem dar o exemplo, e os membros da sociedade devem ser os exemplos para seus semelhantes. Por isso a pergunta que deixo esta semana \u00e9:<br \/>\nQual \u00e9 o seu limite? Na profiss\u00e3o ou nos seus valores pessoais?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tinha, sete ou oito anos, n\u00e3o mais do que isso quando recebi do meu pai a primeira li\u00e7\u00e3o que recordo. 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