Violência

Quando vejo que o significado de uma palavra está perdendo sua conotação, volto para meu velho amigo o dicionário. Quando lhe perguntei o que significa violência, me respondeu: 1 crueldade, brutalidade, selvageria, bestialidade; dureza, rigor, agressividade, truculência. 2 calor, inflamação, impetuosidade, veemência. 3 força, poder impacto; intensidade, fúria, ímpeto, ferocidade. O que encontrei muito interessante é que os antônimos da palavra violência são usados normalmente para qualificar os habitantes de nosso país: cordialidade, brandura, docilidade, brandura, placidez e suavidade. Contraditório e curiosos ao mesmo tempo.
Acredito que chegou a hora da reflexão, não só interior de cada um de nós, mas de nosso país como um todo. É hora de tomar uma posição perante os atos de violência explícita que assassinam mais de 60.000 habitantes por ano, acidentes de trânsito que ceifam outras quase 60.000 vidas anualmente. E isto somente falando deste tipo de violência. E a violência não declarada que mata de fome, a corrupção que rouba de todo o povo o direito de ter uma vida melhor para que um grupo especial de moradores desfrute de uma vida glamorosa e abastada. Por favor, não toquem no tema da disparidade social que permite que num país como o nosso a metade dos trabalhadores, dos que estão trabalhando já que há 12.000.000 que não ganham nada, ganhe uma miséria como salário mínimo, contra uma elite que corresponde a 3% da população ganhando salários astronômicos muito superiores aos 20 salários mínimos.
Podemos considerar-nos uma sociedade cordial e gentil quando toleramos o sistema de saúde atual, o descaso com a educação de nossos filhos, a carnificina que acontece nas nossas prisões e cadeias que supostamente deveriam reabilitar e se tem transformado em universidades do crime?
Vivemos num país que os governantes não têm autoridade moral para impor ordem e segurança. Vivemos com medo e sem proteção. A violência produz medo, o medo produz insegurança, a insegurança a falta de confiança, ou seja, a perda da fé. Um país sem fé em si mesmo, em seu potencial, se transforma num povo sem autoestima. Quando cheguei ao Brasil 41 anos atrás, tinha um programa cômico que falava como seria o Brasil do futuro. Esse programa dava esperança de que algum dia as coisas melhorariam. Era um incentivo que se dava a população que em 100 anos ou mais teríamos coisas que nos eram negadas nesse momento. Hoje, os programas cômicos somente conseguem ridicularizar o presente, até os humoristas têm medo de fazer qualquer prognóstico de nosso futuro.
A decisão cabe a cada um de nós, e como tudo neste mundo a solução parte da educação. Vivemos o resultado da falta de uma educação verdadeira de nosso povo nos últimos 40 anos, para que nossos netos e bisnetos tenham alguma chance daqui a 40 anos, devemos decidir, de uma vez por todas que tipo de educação começamos a dar ao nosso povo HOJE, a partir de AGORA e de forma URGENTE. Cada dia de espera com certeza serão centos de milhares de mortos no futuro. Desejo que o Brasil continue sendo o país gentil e cordial, mas devemos deixar de nos enganar.

Boa semana.

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