Tive um sonho

Ontem à noite tive um sonho. É recorrente. Sempre acontece antes do início das aulas. Vejo alunos felizes e entusiasmados dirigindo-se ao colégio pelas ruas da cidade. Os professores animados com a perspectiva de um ano que se inicia e bem dispostos para transmitir conhecimentos e receptivos aos novos caminhos, que os alunos o incentivem a percorrer, com a curiosidade inerente a idade deles.
O mais interessante é que durante todo o ano perdura esse ambiente, os pais dos alunos frequentam a escola para ficar cientes do progresso acadêmico de seus rebentos. As supervisões e coordenações do colégio não têm que chamar nenhum pai para fazer reclamações dos filhos. É um colégio diferenciado já que coloca como meta ao aluno atingir a nota 10, em lugar de uma nota 5. O importante é que essa nota 10 está relacionada com o potencial de cada aluno e não de comparação entre eles. Este colégio entende e compreende que todos têm potenciais diferentes. Fazendo uma comparação, alguns nascem com a capacidade de saltar um metro, outros dois e assim sucessivamente. O fundamental é que cada um aprenda a saltar o máximo que sua capacidade lhe permite. Neste colégio ideal não se nivela numa simples nota cinco, já que aquele que tem a capacidade de alcançar uma nota 10 será incentivado a consegui-la, assim como aquele que somente pode chegar a uma nota 5 será parabenizado. Neste colégio de meus sonhos é merecedor de elogios o aluno que consegue chegar ao limite da sua capacidade, não aquele que se limita a fazer o suficiente apesar de que poderia atingir níveis mais elevados.
Lembro de uma vez que vivenciei este colégio de meus sonhos na vida real. Era uma turma pequena, num colégio particular de primeira linha no Rio de Janeiro. Um dia chega à nossa sala de aula a coordenadora do colégio, com um rapaz alto e forte junto com uma senhora. Esta acompanhante era o que conhecemos como “cuidadora”, geralmente uma professora especializada em acompanhar crianças com características especiais para aprender. Este jovem era autista, e junto com sua professora sentaram-se nos últimos bancos da sala. Continuei dando minha aula depois de haver dado as bem-vindas aos novos integrantes do grupo. Isto continuou durante alguns meses, e recebemos a informação que nos dias que tínhamos esta aula, o jovem em questão dava sinais de um maior entusiasmo em vir ao colégio. Comuniquei isto à turma, que sempre tratou este aluno com o maior carinho e atenção, e junto com a cuidadora incentivamos em cada aula a participação de Daniel (nome fictício) nas atividades lúdicas. Descobrimos todos nós: turma, cuidadora e eu que as músicas em espanhol faziam que ele reagisse mais. Quase no final do ano tivemos uma experiência única. Conseguimos que Daniel dançasse várias vezes na frente da classe junto comigo uma música em espanhol. No meu colégio dos sonhos Daniel teria uma nota 10 com felicitações.
Não seria bom que nossa educação procura-se este tipo de resultado? Dar o melhor de cada um de nós, independente de nossas capacidades individuais.

Boa semana.

4 Comments

  1. Caro Prof. Ricardo, maravilhoso seria que esta sua crônica pudesse chegar a muitos colégios e mestres, independente de lidarem ou não com alunos especiais. Sabemos pela mídia quantas falhas, carências e falta de preparo existem neste segmento, e com maior intensidade nas áreas mais carentes. Que esse colégio de seus sonhos possa crescer e se multiplicar na vida real trazendo bons frutos a sociedade. Parabéns, forte abraço.

  2. Un sueño hermoso que considero debemos tenerlo como ideal a seguir todos los que trabajamos en salud y educación. Enfocar a los dones de cada persona. Es más sencillo enfocar en el problema o enfermedad , que en qué capacidades y habilidades tiene cada persona para desarrollar. Es el gran problema de nuestra época. Porque implica un mayor compromiso, trabajo y esfuerzo de nuestra parte!! Gracias por compartir tu sueño !

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