Urgente ou importante

Vivemos numa época que o urgente atropela o que é importante. A urgência somente tem prioridade sobre o importante quando as coisas têm saído do controle. Tudo no Brasil é urgente: recompor a segurança, prestar serviços de saúde à população, dar educação adequada, restaurar a economia e tantos outras urgências que pipocam pelo nosso Brasil doente.
Vemos um povo que está sendo exterminado pelo sistema de saúde falido pelas roubalheiras. A educação em frangalhos pela má administração da mesma por causa da ignorância de seus gestores e falta de apoio do estado. A segurança de braços dados com a corrupção e o crime organizado com poucas exceções. A economia destruída não só pela corrupção, mas principalmente pela gestão desonesta e permissiva dos últimos 40 anos, feita pela elite de políticos que estão perpetuados no poder, geração após geração desde Getúlio Vargas. Caso duvidem, vejam somente a genealogia dos que estão exercendo atualmente as principais posições de nossa república. Filhos, genros, primos, sogras, irmãos, netos e todo tipo de parentesco pululam entre os cargos de confiança dos governos federal, estaduais e municipais.
Cada um de nós deve ser parte da solução na área na qual temos alguma responsabilidade e possamos fazer a diferença. A minha é a educação, por isso tento ensinar a meus alunos a ter autocrítica. Noutras palavras que aprendam a pensar por si mesmos. Quando uma pessoa não sabe chegar as suas próprias conclusões sobre algum tema, o único que faz é copiar as ideias e pensamentos de outros. Este é o princípio de como diferenciar o urgente do importante. Se não conseguimos ter nossa própria consciência do que é importante, seguramente seguiremos os valores de outros e serão eles os que nos dirão o que é urgente ou importante. Nesse momento é que entra a corrupção, a má gestão, as tentações, os malfeitos e a desonestidade. A única urgência que deveria existir em nossas vidas é dar prioridade a seguir nossos valores adquiridos através do estudo e das nossas mais profundas convicções.
Tenho certeza que muitos dos que participaram nos trágicos eventos que nosso país tem vivido, nos últimos anos, são produto justamente da falta de discernimento da maioria dos envolvidos. Não é desculpa, a estupidez não é escusa, assim como a ignorância não nos libera da culpa. Quem não sabe para aonde vai e somente segue as orientações que lhe são dadas, certamente está destinado a fazer coisas erradas.
Uma pessoa sem objetivos claros e definidos possivelmente vai confundir a urgência ou a importância dos fatos que a vida lhe apresenta. O mesmo passa com um país, como o nosso, que está na situação atual porque simplesmente nós temos votado de acordo ao que é importante para outros e não de acordo com o que é importante para cada um de nós.
Caro amigo leitor, descubra o que é importante e somente permita que o urgente esteja de acordo com esses valores. Estou cansado de ver pessoas sacrificando valores em função de necessidades de outros. Quantas vezes já temos sacrificado o tempo para nossa família em função de urgências do trabalho? Cedo ou tarde pagaremos por isso.

Boa semana!

6 Comments

  1. Inclusive temos duas coisas que penso muito:
    1 – nosso direito acaba quando começa o do próximo.
    2 – Ame o próximo como a ti mesmo

    Com esses dois ensinamentos vamos conseguir separar o urgente do importante.

    O mais dificil não é entender o que é importante/urgente para nossas vidas, mas quando nossas urgências e importâncias se chocam com a de outros.

  2. Caro Professor Ricardo, voltamos ao princípio de que tudo depende da educação, sempre. Sem a educação domestica, somada a instrução que se recebe na escola, nunca chegaremos a lugar nenhum, e o pior, elas estão crescendo mas como rabo de cavalo, para baixo. Quanto mais o tempo passa pior fica. Se na família não existir esse suporte, cada uma das gerações futuras virá pior. Pobres professores! Ademais, vale destacar que a coerência, bom senso, prudência e a lógica não constam como matérias da grade curricular. Esperemos que após a leitura desta sua crônica saibam formar juízo corretamente entre o urgente e o importante. Forte abraço.

    1. Caro amigo Mesquita: Pregando no deserto, assim estou me sentindo. Meu discurso é levado para sala de aula, assim como para as salas de professores, mas há poucos que pensam como eu, e aqueles que assim o fazem preferem omitir-se. A omissão é maior problema da nossa geração. Em fim continuaremos sendo o passarinho que leva água no bico para apagar o incêndio na floresta, enquanto os outros animais ficam rindo ele.
      Um grande abraço
      Ricardo

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