Qual é a diferença entre doutrinação e ensino?

Doutrinar: instruir à maneira de doutrina; catequizar dentro de princípios em que se fundamenta um sistema religioso, político ou filosófico; ideologia, sistema, teoria.
Ensinar: Transmitir a alguém conhecimentos sobre alguma coisa ou sobre como fazer algo.

Ultimamente estou lendo e tomando conhecimento de uma discussão sobre o ensino. Algumas pessoas, lamentavelmente alguns são professores, confundem os significados de doutrinar e ensinar. Como professor devo ensinar o livre arbítrio, o bom senso, o sentido comum na mesma medida que ensino os caminhos do conhecimento. Não é o meu conhecimento que devo transmitir, senão as maneiras e os meios de chegar ao conhecimento.

Logicamente que ensinar requer primeiramente a prática com o exemplo daquilo que se ensina. Nunca repetir aulas, fazer de cada uma delas uma aventura na procura do conhecimento e não uma simples repetição de exercícios ou lugares comuns da matéria que se ensina. O ensino deve ser desbravar novos caminhos do conhecimento junto com os alunos. Fazendo isto veremos que aprendemos mais com eles do que eles com a gente.

Há dois tipos de professores, aqueles que inconscientemente se apoiam nos ombros dos alunos para sobressair e aqueles que são empurrados para cima pelos próprios alunos, quando estes têm à oportunidade de mostrar suas capacidades.

Não existem direita nem esquerda no ensino. Junto com os conteúdos o professor ensinará o que sabe, e será o guia dos novos conhecimentos adquiridos junto com seus alunos. Com seu exemplo, deverá ensinar ética com isenção acadêmica, bom senso e espírito crítico. Estes últimos valores, provavelmente terão mais influência na vida de seus alunos que todo o conteúdo ensinado da matéria que ministra.

Não entendo essa discussão entre doutrinar e ensinar. São duas coisas totalmente diferentes e aquele professor que teve bons mestres sabe a diferença entre os dois significados.

Eu como professor quero guiar meus alunos em direção à autodescoberta do conhecimento individual, da ética, e do valor principal da vida, desejar para os demais aquilo que desejo para mim.

Boa semana.

4 Comments

  1. Caro Ricardo, a tua colocação pelo ponto de vista pedagógico é perfeita. No entanto, creio que a discussão que se faz presente no momento sobre doutrinar e ensinar passa pelo comportamento covarde de setores do professorado que conscientemente aproveitando-se da sua condição de mestre induzem adolescentes a mergulhar em suas próprias convicções. Isso se dá em um quadro em que muitas famílias não cuidam com atenção de seus filhos e uma mídia animada apenas pela cobiça por novos e alienados mercados expropriam destas jovens almas o dom da liberdade e da construção verdadeiramente crítica de suas vidas. Um abraço forte.

  2. Caro professor, as mudanças de comportamentos pessoais e profissionais ocorridas em nossa sociedade nos últimos dez a quinze anos, muitas vezes nos deixam estarrecidos com o que vemos e acontece a nossa volta. E assim é também com professores e alunos. Sou de opinião que deveria existir o exame de proficiência para todas as profissões, uma vez concluída a faculdade, para os formados que decidam exercer a profissão que escolheram, a exemplo do que ocorre com a OAB. E se pudesse também fosse aplicado para os pais, cujos filhos recebem cargas positivas e negativas com forte reflexo na sua formação pessoal e profissional. Forte abraço.

    1. Caro amigo: O exame de proficiência para todas as profissões seria o ideal. O problema é que, como você muito bem destaca, em muitos lares os pais não estão preparados para educar seus filhos. Nossa sociedade, em geral, acredita que a educação é problema da escola, quando na realidade a criança quando chega à sala de aula já está formado. A escola somente dá conhecimento e programas guias para acessar as informações do conhecimento,porém se a formatação recebida no lar da criança foi mal feita ou nem sequer foi realizada a escola não tem meios de remediar isto. Todo ser humano tem direitos na sociedade, mas deve entender que junto com os direitos chegam os deveres e responsabilidades e isto parece ser ignorado na atualidade. Somente se está ensinando nos lares o “direitismo”, ou seja todos os direitos para mim e nada para os outros. Um abraço.

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